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ASSISTA: Guilherme Boulos fala do resultado das eleições espanholas, Brexit e Temer

Nesse domingo, os espanhóis foram às urnas pela segunda vez em aproximadamente seis meses após os parlamentares eleitos em dezembro não terem conseguido formar governo para eleger uma nova bancada de deputados.

As pesquisas de boca de urna, publicadas logo após o encerramento da votação, indicavam que a coligação Unidos Podemos – formada pela organização política Podemos e a radical Esquerda Unida – superaria os sociais democratas do Partido Socialista Operário Espanhol que se alternam no poder com o Partido Popular de Mariano Rajoy desde o fim da ditadura franquista em 1982. Mas pouco depois da abertura das primeiras urnas ficou evidente que a noite não seria tão generosa com a formação criada há apenas três anos por professores universitários.

Apesar do PP ter sido o grande vitorioso da noite com 137 deputados (um ganho de 14 com relação a dezembro), uma aliança com a nova direita representada pelo Ciudadanos, que agora contam com apenas 32 deputados (uma perda de oito cadeiras), não alcançaria os 176 parlamentares necessários para se formar uma maioria parlamentar.

O PSOE obteve 85  vagas (cinco a menos do que na primeira consulta) e o Unidos Podemos manteve uma bancada de 71 deputados, mesmo número alcançado há seis meses, estabelecendo-se como a terceira força política espanhola – um feito sem precedentes na história política europeia para um partido tão jovem.

Eu conversei com o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, logo após os discursos de encerramento das eleições do Unidos Podemos na Praça Rainha Sofia em Madrid. Falamos de eleições espanholas, Brexit, Temer, Serra, Mercosul e BRICS.

Confira:

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THE END OF BIPARTISAN POLITICS IN SPAIN AS AN EXAMPLE TO THE NON-EUROPEAN UNITED KINGDOM

Parliaments were created as a way of communicating the will of the people in the only practical way possible back then. The electorate vote in the representatives politically aligned to their views, who would then pass laws on their behalf in an assembly. The history of the chambers in the Western world dates back to the year 1188, when the The Cortes of León were created in the medieval Kingdom of León.

Given that this concept of representative democracy precedes Gutenberg and the advent of the printing press technology in the mid 15th century as a revolutionary way of giving access to information in a different scale, it’s not an overstatement to say that after the most recent revolution in the sharing of information that the internet represents, parliaments and indirect democracy has become majorly obsolete.
As much as we’re made to believe that voting is democracy in its full form, a democratic society is more closely related to access to information than voting, given that the former can change the system of voting in itself on the public squares, as epitomised by the Indignados movement and its ripple effect in Spain.
Podemos is a Spanish party created three years ago through a manifesto written by several university professors in the field of Political Science, which has implemented a participative method of policy making that radicalizes democracy as we know it. Its members can and are encouraged to take part in policy making through its forums, where they can directly propose laws, vote on the party’s stances in parliament and even on potential alliances. This approach helps overcome the ineffective representation observed in traditional parties between its elected representatives and the membership.
However, the representative revolution is not the only outstanding achievement of the Spanish party. Spain has now four major parties, each of them holding at least 10% of seats in the lower chamber. Even the most conservative polls – which have historically underestimated Podemos’ results – suggest that this Sunday the left-wing coalition Unidos Podemos, lead by the 38 year old professor of Political Science Pablo Iglesias, will overtake the social democratic PSOE (Spanish Socialist Workers’ Party) as the second political force in Spain. This will make Podemos the first party in the West to truly bring bipartisan politics to an end.
Innovation, modernization, and fearlessness were not as endemic in the British left. As in the U.S., young people trusted a socialist from a different generation, Jeremy Corbyn, to revert austerity and neoliberal policies implemented by the Tories over the last six years. Nearly 200,000 new members, mostly youngsters, flocked to the traditional Labour party between May last year and January 2016, in a bid to push the party away from the center and avoid a right-leaning leader by voting Corbyn in. Consequently, more liberal and forward thinking parties, like the Greens, have been abandoned by this crucial part of the electorate.
The left’s failure to keep the UK in the European Union is closely related to that gamble of a movement that could have inaugurated a party larger than Labour in membership. An opportunity to renew the political scene and break away from bipartisan politics was wasted and Labour’s new members ended up trapped in the hands of a very conservative Parliamentary Labour Party.
Many claim that Corbyn, potentially due to his anti-EU views, failed to argue the case of the Remain camp defended by most of its membership. Yesterday, the Labour leader called for Article 50 of the Lisbon Treaty to be immediately invoked, which would trigger Britain’s formal exit of the EU.
The vote to leave is another evidence of the British electorate’s disenfranchisement, and the lack of political vibrancy that a country needs to call itself democratic. The consequences for British economy and the impact, especially for the lives of young Britons, are difficult to predict but will certainly be felt for generations to come.
The focus of Labour members of parliament is on challenging the leadership of Corbyn, but it’s crucial that the new members of Labour concentrate on creating a scenario where bipartisan politics come to an end, following the example that we should see materialized in Spain this Sunday.

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Brasil – Medalha de ouro em corrupção

Informações do Conselho Editorial do NYT
Tradução de Inacio Vieira

 

No mês passado, o Presidente interino Michel Temer demonstrou pouco discernimento ao apontar um gabinete formado exclusivamente por homens brancos em seu primeiro dia no poder. É compreensível que isso tenha causado descontentamento em um país tão etnicamente diverso quanto o Brasil.

A indignação foi complementada pelo fato de que sete dos novos ministros estavam envolvidos em um escândalo de corrupção e em uma investigação que abalou a política brasileira. As nomeações reforçaram a suspeita de que o afastamento temporário da Presidente Dilma Rousseff no mês passado por suposto uso de manobras fiscais ilegais visando equilíbrio orçamentário tinha segundas intenções: encerrar as investigações. No início deste ano, Dilma disse que, a longo prazo, seria saudável para o país permitir a continuidade das investigações sobre propinas na Petrobras.

Duas semanas depois da posse do governo interino, Romero Jucá, Ministro do Planejamento de Temer, pediu demissão após um jornal publicar telefonemas gravados em que o ex-ministro parecia apoiar a saída de Dilma como parte de um acordo entre legisladores para “proteger a todos” os envolvidos no escândalo. Essa era a única forma, disse Jucá, de garantir que o Brasil “volte à calma”. No fim do mês passado, o Ministro da Transparência Fabiano Silveira, responsável pelo combate à corrupção, foi forçado a se demitir após outro constrangedor vazamento de uma conversa gravada secretamente.

 

Isso forçou Temer a se comprometer na semana passada com a não interferência do poder executivo nas investigações da Petrobras, que já apanhou mais de 40 figuras políticas. Levando em conta os homens que cercam Temer, fica difícil acreditar nessa promessa. Para ganhar a confiança dos brasileiros (grande parte dos manifestantes consideram a suspensão de Dilma um golpe), o presidente interino e seu gabinete precisam tomar medidas concretas contra a corrupção.

De acordo com a lei brasileira, altos funcionários do governo, incluindo legisladores, desfrutam de foro privilegiado na maioria dos casos. A cultura de impunidade e corrupção institucionalizada foi claramente facilitada por essa proteção excessiva. Foi descoberto por investigadores que os contratos da Petrobras quase sempre incluíam uma taxa fixa para propinas e que o dinheiro dos subornos era desviado para partidos políticos. A Petrobras reconheceu no ano passado que pelo menos US$ 1,7 bilhão de suas receitas tinha sido usado em subornos.

“Esquemas de corrupção sistêmica são danosos porque impactam a confiança na regra da lei e na democracia”, escreveu Sérgio Moro, o juiz que lidera as investigações da Petrobras, em um artigo na revista Americas Quarterly no mês passado. E acrescentou, “os crimes que são revelados e comprovados, respeitando o rito processual, devem ser punidos”.

O Brasil não é o único país na região atormentado pela corrupção. Um escândalo na Bolívia prejudicou a imagem do Presidente Evo Morales. A Colômbia começou uma campanha anticorrupção em resposta à descoberta de propinas em contratos de estado. Guatemala e Honduras encontram-se sob forte pressão internacional e aceitaram a entrada de uma força tarefa composta por especialistas estrangeiros para ajudar os promotores locais na realização de investigações de maior visibilidade.

Não se sabe o esforço que Temer está disposto a fazer para eliminar a corrupção. Se estiver de fato empenhado, e quiser acabar com as suspeitas sobre as segundas intenções do afastamento de Dilma, seria prudente propor uma lei que retire a imunidade de legisladores e ministros em caso de corrupção.

 

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